Novo salário mínimo é pago em fevereiro com aumento de 6,79%

Quem aguardava ver mais dinheiro na conta logo que começou o ano já deve ter notado a mudança. A partir de 2 de fevereiro de 2026, trabalhadores CLT receberam o primeiro pagamento do novo salário mínimo, que passou a ser de R$ 1.621. O valor representa um reajuste real, mas a realidade do contracheque final tem nuances importantes que muita gente ignora antes de assinar a folha.

O ajuste entrou em vigor oficialmente em 1º de janeiro, conforme previsto no Decreto 12.797/2025. Embora o valor bruto subiu R$ 103, equivalente a 6,79%, isso não significa que esse mesmo aumento aparece limpo no saldo bancário. As deduções obrigatórias continuam tirando uma fatia significativa do rendimento mensal, especialmente para quem ganha exatamente a base nacional.

Como foi calculado o novo piso salarial?

A matemática por trás desse número vem sendo debatida há meses nos corredores do poder público. Segundo dados oficiais, o reajuste combinou a inflação acumulada, medida pelo INPC, que bateu em 4,18%, com o crescimento projetado do Produto Interno Bruto. Mas aqui entra a pegadinha: o arcabouço fiscal impõe limites rigurosos.

Basicamente, o Governo Federal precisou equilibrar a necessidade de repor o poder de compra dos trabalhadores com a responsabilidade de manter o orçamento controlado. O resultado final de 6,79% reflete esse cabo de guerra econômico. Para entender melhor, imagine que sem esses limites fiscais, o percentual poderia ter sido maior. A lei que garante essa atualização, a Lei 14.663/23, obriga correção pela inflação, mas a parte do ganho real depende da capacidade de crescimento da economia.

O que realmente cai no bolso do trabalhador

Aqui está o detalhe que poucos leem nas contrachecas com atenção. Um funcionário que recebe exatamente o salário mínimo tem cerca de 7,5% descontados para o INSS. Isso é a alíquota mínima da tabela vigente. Em valores absolutos, estamos falando de aproximadamente R$ 121,55 saídos do salário bruto antes de você pegar o dinheiro.

Logo, o líquido inicial gira em torno de R$ 1.499. Isso sem contar o vale-transporte. Se a empresa oferece o benefício, ela pode cobrar até 6% do salário bruto quando o funcionário usa transporte coletivo. É importante notar que, para quem ganha só o mínimo, não há incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte. Isso porque a Receita Federal mantém a faixa de isenção acima desse patamar. Outros descontos, como plano de saúde ou contribuição sindical autorizada, variam caso a caso, mas não são regra geral para todos.

Impacto direto em outros benefícios sociais

Impacto direto em outros benefícios sociais

A mudança no piso reverbera muito além da carteira de trabalho assinada. Vários benefícios do sistema previdenciário usam o salário mínimo como referência básica para cálculo. Quem está aposentado pelo piso, recebe pensão por morte ou auxílio-doença verá esses valores ajustados automaticamente.

O teto contributivo do INSS também foi atualizado. Agora ele alcança R$ 8.475,55. Já para os microempreendedores individuais, conhecidos como MEI, a contribuição fixa subiu para R$ 81,05 mensais. O seguro-desemprego também acompanhou a onda, com as parcelas mínimas subindo junto com o salário mínimo. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, esse pacote de medidas afeta diretamente 61,9 milhões de brasileiros e injeta cerca de R$ 81,7 bilhões na economia durante o ano de 2026.

Benefício de Prestação Continuada e abono salarial

Benefício de Prestação Continuada e abono salarial

Não podemos esquecer do BPC – Benefício de Prestação Continuada. Ele segue travado no valor de um salário mínimo, então quem recebe esse benefício para idosos ou pessoas com deficiência terá o valor recalculado também. O mesmo vale para o abono salarial, um direito de trabalhadores de baixa renda vinculados ao Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Rede Pública de Ensino.

Muitos donos de negócio relataram preocupação com o impacto nos custos operacionais. O custo da mão de obra aumentou, e isso pressiona margens de lucro em setores sensíveis como varejo e serviços. Para empregadores, o desafio é absorver o custo sem repassar preços inflacionados ao consumidor final ou reduzir contratações futuras.

Perguntas Frequentes

Qual a data exata do primeiro pagamento do novo valor?

O pagamento referente à jornada de janeiro de 2026 ocorreu a partir de 2 de fevereiro de 2026. Trabalhadores devem receber a diferença retroativa na primeira folha de pagamentos após a vigência oficial do decreto.

Quem recebe o salário mínimo paga Imposto de Renda?

Não há retenção de IRRF para quem ganha o piso. A tabela progressiva da Receita Federal situa o limite de isenção acima de R$ 1.621, portanto, apenas o desconto do INSS ocorre compulsoriamente.

A aposentadoria automática aumenta no mesmo percentual?

Sim, benefícios como aposentadorias no valor do piso, pensão por morte e auxílio-doença seguem a revalorização de 6,79% aplicada ao salário mínimo vigente a partir de 1º de janeiro.

Mei precisa mudar o DAS com o novo valor?

A contribuição mensal fixa do MEI atualizou-se automaticamente. O novo valor da guia mensal (DAS) passou para R$ 81,05, cobrindo a taxa de 5% sobre o novo salário mínimo.

Thaynara Rezende de Oliveira

Thaynara Rezende de Oliveira

Sou jornalista especializada em notícias e gosto de escrever sobre os acontecimentos diários no Brasil. Minha paixão é manter as pessoas informadas com atualizações rápidas e precisas.

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