Thunderbolts*: guia antes de ver — elenco, história, temas e o lugar no MCU

Um time de ex-vilões, um herói quebrado e uma rebranding ousada: os “Novos Vingadores” de Val

Um grupo de ex-vilões assume o microfone e é apresentado ao mundo como “Novos Vingadores”. Não é erro de pauta: é estratégia. Em Thunderbolts*, Valentina Allegra de Fontaine (Julia Louis-Dreyfus) puxa os fios de uma operação que junta Yelena Belova (Florence Pugh), Bucky Barnes (Sebastian Stan), Red Guardian (David Harbour), Ghost (Hannah John-Kamen), Taskmaster (Olga Kurylenko) e John Walker (Wyatt Russell). O plano promete reputação. O preço? Encarar traumas que eles fingiam ter deixado para trás.

O filme teve première em 22 de abril de 2025 no Cineworld Leicester Square, em Londres, e estreou nos EUA em 2 de maio. Com 2h07 de duração e classificação PG-13, a direção é de Jake Schreier, produção de Kevin Feige e roteiro assinado por Eric Pearson e Joanna Calo, com história que inclui contribuição de Kurt Busiek, o mesmo roteirista que, nos quadrinhos, concebeu o conceito do grupo que se passa por heróis. O elenco ainda traz Lewis Pullman, Geraldine Viswanathan, Chris Bauer e Wendell Pierce.

Entre os destaques de recepção, o longa acumula 7,2/10 no IMDb com base em 190 mil avaliações e coleciona elogios no Rotten Tomatoes por ser um “thriller enxuto com humor na medida” e por entregar impacto emocional sem perder a cara do MCU. É aquele equilíbrio raro: familiar para quem acompanha a franquia e, ao mesmo tempo, diferente o bastante para soar novo.

O conflito central vem de Bob (Lewis Pullman), manipulado por Val para se tornar o super-herói Sentry. Só que Sentry não vem sozinho: com ele, surge o Void, um alter ego destrutivo que encarna depressão, insegurança e vícios. Quando o Void se solta, Nova York mergulha numa escuridão quase sobrenatural que prende pessoas em visões de seus piores momentos. É metáfora, sim — e é literal também. O filme transforma saúde mental em ameaça palpável, sem glamourização.

O que você precisa saber antes de assistir

O que você precisa saber antes de assistir

Yelena Belova: a ex-Viúva Negra que herdou a sagacidade de Natasha e virou o centro moral (e prático) do grupo. Se você viu Black Widow e Hawkeye, já conhece seu humor seco, a lealdade aos seus e a dor que ela raramente admite.

Bucky Barnes: o ex-Soldado Invernal tenta viver como um homem que entende o peso do que fez, mas não quer ser definido por isso. O filme cutuca feridas antigas, inclusive culpa e isolamento. Para quem vem de The Falcon and the Winter Soldier, a curva aqui é menos sobre punição e mais sobre propósito.

Red Guardian: o “Capitão América” soviético de um passado inflado por bravatas. Entre piadas e nostalgia, ele funciona como alívio cômico — e como lembrança de que velhas glórias não apagam contas pendentes.

Ghost: aquela que vibra entre planos e carrega dor crônica desde Ant-Man and the Wasp. O roteiro dá a ela um espaço de vulnerabilidade raro em blockbusters, sem tratá-la como peça secundária.

Taskmaster: um espelho que copia movimentos, mas que passa o filme buscando a própria identidade após a lavagem cerebral vista em Black Widow. Aqui, não é só técnica; é recuperar a voz.

John Walker: o ex-Capitão designado que se queimou em público em The Falcon and the Winter Soldier. Walker tenta redenção, mas o filme não facilita: atos têm consequências, reputação não se compra com uniforme.

Valentina de Fontaine: a arquiteta do caos com carisma de executiva e frieza de operadora política. Ela arma uma missão “impossível”, vende controle, mas alimenta inseguranças. É a versão espelhada (e cínica) da ideia de um Nick Fury.

Quem é Sentry? Nas HQs, ele é um dos personagens mais poderosos da Marvel, mas com um lado sombrio chamado Void. O longa mantém a essência: Bob quer ser bom, mas a doença o puxa para o abismo. Quando a cidade cai na escuridão, o grupo precisa literalmente entrar na mente dele. Yelena atravessa o breu para alcançá-lo; os demais encaram memórias de overdoses, perdas e falhas que preferiam esquecer. Não existe “pancada resolve” aqui. Existe acolhimento, palavras certas na hora certa e o reconhecimento de que pedir ajuda é corajoso.

Isso faz diferença? Faz. Thunderbolts* é um blockbuster que fala de depressão e dependência sem tratar como subtrama decorativa. O trauma não é mercadoria; é motor. A grande virada não é um raio do céu, é uma mão estendida.

Na superfície, tudo termina “bem”: o Void recua quando Bob encontra âncora no afeto e na responsabilidade. Só que Val domina a narrativa pública e rebatiza o grupo de “Novos Vingadores” em rede nacional. É golpe de marketing? Sim. É provocação? Também. No ouvido, Yelena sussurra: “Agora, quem manda somos nós”. O recado está dado para os próximos capítulos.

Por que isso importa para o MCU? Porque abre espaço para um time que opera no cinza. O rótulo de Vingadores sempre foi sinônimo de ideal. Aqui, o ideal é substituído por utilidade política. Isso embaralha as bases do universo: quem define o que é heroísmo — e por quê? — quando a régua vira comunicação e controle de danos.

A proposta dialoga com a origem dos Thunderbolts nos quadrinhos (criados por Kurt Busiek e Mark Bagley, em 1997): vilões se passando por heróis para ganhar poder e aceitação. O filme atualiza essa ideia para a era da gestão de imagem e das narrativas fabricadas. O envolvimento de Busiek no argumento serve como ponte entre páginas e tela.

Sobre tom e linguagem: a direção de Jake Schreier combina urgência de thriller com humor seco. Não é escracho; é ironia que respira entre cenas tensas. Faz sentido com a dupla de roteiristas: Eric Pearson, acostumado ao MCU (de Thor: Ragnarok a Black Widow), e Joanna Calo, que afia diálogos e dinâmica de grupo em The Bear. Resultado: personagens conversam como gente, não como slogans.

Para quem quer se preparar, vale (re)visitar: Black Widow, Hawkeye, Ant-Man and the Wasp e The Falcon and the Winter Soldier. Não é obrigatório; o filme se explica. Mas conhecer os passados corta caminho, especialmente para entender a culpa de Bucky, a dor silenciosa de Ghost e o ressentimento de Walker.

O que o filme entrega para frente? Um tabuleiro com peças grandes. Sentry coloca um nível de poder que mexe com qualquer equilíbrio. Val aparece com alcance político midiático. Yelena, na prática, assume liderança sem rótulo. E o grupo, que começou refém, aprende que laços podem ser mais fortes que contratos. Isso não fecha arcos; abre dilemas.

Recepção e impacto: os números iniciais mostram um público engajado e uma crítica alinhada ao discurso de que a Marvel reencontrou um norte emocional sem se repetir. Chama atenção a forma como o filme se posiciona: blockbuster de estúdio com conversa honesta sobre saúde mental, sem transformar isso em muleta. Dá para sair do cinema pensando em explosões e, ao mesmo tempo, no que significa ter alguém ao lado num dia ruim.

Ficha rápida para guiar a sessão: 2h07, PG-13, ação com pegada de thriller, humor pontual, elenco afiado e um vilão que é, no fundo, um sintoma. Se você procurava um capítulo que avança a grande narrativa e ainda funciona sozinho, é aqui. E se esperava respostas fáceis, prepare-se: Thunderbolts* prefere fazer perguntas que incomodam — inclusive sobre quem merece vestir um rótulo tão pesado quanto “Vingador”.

Thaynara Rezende de Oliveira

Thaynara Rezende de Oliveira

Sou jornalista especializada em notícias e gosto de escrever sobre os acontecimentos diários no Brasil. Minha paixão é manter as pessoas informadas com atualizações rápidas e precisas.

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