Preço do açúcar atinge mínimas de 6 anos sob pressão de oferta global

O mercado global de açúcar enfrentou uma semana de turbulência extrema entre 7 e 14 de abril de 2026, com os preços despencando para os níveis mais baixos vistos em quase seis semanas antes de registrarem uma recuperação tímida. A queda foi impulsionada por uma oferta abundante que saturou o mercado, fazendo com que contratos futuros na ICE (Intercontinental Exchange) registrassem perdas semanais próximas a 7% até a sexta-feira, 10 de abril.

Aqui está o ponto central: não estamos falando apenas de uma oscilação comum. De acordo com a análise da StoneX, uma das maiores corretoras de commodities do mundo, os preços renovaram mínimas que não eram vistas desde 2020. Isso significa que as barreiras de suporte de preço que mantinham o mercado estável simplesmente desapareceram, deixando os traders em alerta máximo.

O mergulho nos preços e os números do colapso

A segunda-feira, 13 de abril, foi particularmente dura para o setor. Em Nova York, o contrato de açúcar bruto para maio caiu 7 pontos, fechando em 13,88 centavos por libra-peso. Enquanto isso, do outro lado do oceano, na Londres, o contrato de açúcar branco para maio recuou 11 pontos, encerrando o dia em US$ 413,80 por tonelada métrica.

Mas a queda não parou por aí. O contrato de açúcar branco mais ativo registrou uma perda de US$ 1,30 (cerca de 0,3%), terminando em US$ 412,30 por tonelada — o patamar mais baixo desde o início de março. Para quem opera no mercado, esse movimento sinalizou que a pressão vendedora estava dominando completamente a narrativa.

A reviravolta veio na terça-feira, 14 de abril. Após tocar um fundo de seis meses de 13,56 centavos logo no início da sessão, o açúcar bruto conseguiu respirar e fechou com alta de 1,5%, retornando aos 13,88 centavos. O açúcar branco teve uma recuperação ainda mais expressiva, subindo 3,2% para fechar a US$ 424,20 por tonelada métrica. (Sempre acontece assim: o mercado entra em pânico, atinge o fundo e logo surge uma onda de compras oportunistas).

A engrenagem por trás da queda: Oferta e Energia

Por que o preço caiu tanto? A resposta é simples: há açúcar demais no mundo. O fluxo de comércio "spot" (pronta entrega) continua abundante, o que coloca um peso enorme sobre as cotações. Para piorar a situação dos produtores, o cenário geopolítico e a queda nos preços do petróleo bruto jogaram contra.

Turns out, a relação entre o açúcar e a energia é crucial. Quando o preço do petróleo cai, o etanol torna-se menos lucrativo. Isso incentiva as usinas a mudarem a produção da cana-de-açúcar: em vez de produzirem etanol, elas focam no açúcar. Mais açúcar no mercado significa preços menores. É um efeito dominó que prejudica quem vende, mas favorece a indústria de alimentos e bebidas.

Dados de Exportação

Um detalhe que confirma a abundância de produto é o cronograma de exportações. Na última semana analisada, o volume de carregamento programado saltou para 1,253 milhão de toneladas métricas, um aumento considerável em relação às 1,063 milhão de toneladas da semana anterior.

O fator El Niño e a esperança de recuperação

O fator El Niño e a esperança de recuperação

Apesar do cenário sombrio de curto prazo, existe uma luz no fim do túnel para os produtores. Traders já começaram a precificar a chegada do El Niño Global , previsto para se desenvolver a partir de meados de 2026. Esse fenômeno climático costuma causar irregularidades nas safras, o que poderia restringir a oferta nas próximas temporadas.

Essa expectativa de escassez futura é o que está impedindo que os preços derretam completamente. Existe uma luta psicológica no mercado: de um lado, o conforto excessivo da oferta atual; do outro, o medo de que a natureza mude as regras do jogo no próximo ano.

Perspectivas para os próximos meses

Perspectivas para os próximos meses

O sentimento geral é de cautela. O mercado está tentando entender se a recuperação de 14 de abril foi apenas um "repique" técnico ou o início de uma tendência de alta. Com a oferta ainda robusta e o apoio de fatores externos sendo tímido, a trajetória de preços deve continuar volátil.

Atenção deve ser dada especialmente aos relatórios de safra dos principais produtores globais. Se houver qualquer sinal de que a produção atual seja menor do que o esperado, ou se o petróleo voltar a subir, o açúcar pode recuperar seu terreno rapidamente. Por enquanto, porém, quem compra leva a vantagem.

Perguntas Frequentes

Por que o preço do açúcar caiu tanto em abril de 2026?

A queda foi causada principalmente por uma oferta global abundante e um fluxo intenso de comércio spot. Além disso, a baixa no preço do petróleo reduziu a atratividade do etanol, levando as usinas a produzirem mais açúcar, o que saturou ainda mais o mercado.

Qual a relação entre o petróleo e o açúcar?

A cana-de-açúcar é matéria-prima para ambos. Quando o petróleo cai, o etanol perde competitividade econômica. Para evitar prejuízos, as usinas redirecionam a cana para a produção de açúcar, aumentando a oferta global e pressionando os preços para baixo.

Como o El Niño pode impactar os preços no futuro?

O fenômeno El Niño altera padrões de chuva e temperatura globalmente. Previsões indicam que seu desenvolvimento em meados de 2026 pode prejudicar a produtividade das lavouras de cana, reduzindo a oferta e, consequentemente, forçando os preços para cima nas próximas temporadas.

O que aconteceu especificamente nas bolsas de Nova York e Londres?

Em Nova York, o açúcar bruto caiu para 13,88 centavos por libra-peso em 13 de abril. Em Londres, o açúcar branco atingiu mínimos de março, fechando a US$ 413,80 por tonelada, refletindo o pessimismo geral do mercado internacional.

Thaynara Rezende de Oliveira

Thaynara Rezende de Oliveira

Sou jornalista especializada em notícias e gosto de escrever sobre os acontecimentos diários no Brasil. Minha paixão é manter as pessoas informadas com atualizações rápidas e precisas.

ver todas as publicações