Quando Grupo Mateus, a terceira maior rede varejista do Brasil, anunciou seus resultados recentes, o impacto foi imediato e doloroso para milhares de famílias. A empresa reduziu seu quadro de pessoal em mais de 6,6 mil trabalhadores entre dezembro de 2025 e a data da divulgação dos dados.
O corte atingiu operações em cinco estados do Nordeste — Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí e Sergipe — e um estado da Região Norte, o Pará. O número total de empregados nessas unidades caiu de 47,9 mil para 41,2 mil, uma redução drástica de 13,9% em apenas alguns meses.
A matemática fria dos cortes
Aqui está o detalhe que muitos podem ter perdido: a comparação não é apenas com o fim do ano passado. Em relação a setembro de 2025, a queda no efetivo foi de 8,8%. Isso sugere que a maioria das demissões ocorreu nos últimos três meses do ano, um período tradicionalmente forte para o varejo devido às vendas de fim de ano.
Os números são impressionantes pela velocidade. Imagine perder quase 14% da sua força de trabalho antes mesmo das festas de final de ano. Para os trabalhadores afetados, isso significa incerteza financeira imediata. Para a empresa, é uma tentativa agressiva de reestruturação.
Vale notar que os estados da Paraíba, Pernambuco e Alagoas foram excluídos desse cálculo específico. A razão? Nesses locais, a operação é vinculada ao formato "Novo Atacarejo", que parece estar seguindo uma estratégia diferente ou teve suas métricas contabilizadas separadamente pelos analistas financeiros.
Silêncio sobre o Ceará e justificativas vagas
Para quem mora no Ceará, onde o grupo possui 14 lojas, a falta de transparência foi frustrante. Quando questionado especificamente sobre quantos empregos foram perdidos no estado, o Grupo Mateus não forneceu um número exato.
A resposta oficial foi genérica: "os cortes foram necessários para ajustes operacionais em toda a rede". Essa frase de efeito corporativa soa bem em relatórios anuais, mas pouco consola quem perdeu o sustento. É a típica resposta que deixa a imprensa e os sindicatos pedindo mais detalhes, mas sem obter respostas concretas.
O site institucional da empresa continua listando suas lojas com orgulho — 144 no Maranhão, 71 no Pará, 14 no Ceará —, mas não atualiza publicamente o número de funcionários por unidade. Essa discrepância entre a imagem de crescimento físico (lojas) e a retração humana (demissões) cria uma narrativa confusa para o consumidor e para o investidor.
O contraste: greves e campanhas de bem-estar
Há um ironia amarga nesse cenário. Enquanto as demissões ocorriam, outras frentes da relação trabalhista mostravam tensões diferentes. Em Recife, no Mix Mateus Santo Amaro, trabalhadores paralisaram atividades por hora e meia em 2 de dezembro. Eles lutavam contra a escala 6x1 (seis dias trabalhando, um de folga), exigindo melhores condições e salários.
Por outro lado, em setembro, a mesma empresa promoveu ações intensas durante o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio. Materiais internos enfatizavam que "é comprovado que falar do assunto ajuda na prevenção". A mensagem era de cuidado com a saúde mental. Agora, com a perda massiva de postos de trabalho, especialistas questionam se essa preocupação genuína com o bem-estar dos colaboradores resistirá à pressão dos resultados financeiros.
Impacto no mercado e o que esperar
O setor varejista brasileiro tem enfrentado desafios estruturais. A concorrência com grandes players nacionais e a mudança nos hábitos de consumo exigem eficiências que muitas vezes resultam em cortes de pessoal. O Grupo Mateus, com 40 anos de história, tenta se adaptar a esse novo normal.
Mas o custo social é alto. Mais de 6 mil famílias precisam agora buscar novas oportunidades em mercados de trabalho que já estão saturados. Especialistas em RH alertam que a rotatividade alta pode afetar a qualidade do atendimento nas lojas restantes, criando um ciclo vicioso.
O próximo passo será observar se essas "ajustes operacionais" realmente levam à lucratividade prometida ou se a empresa precisará contratar novamente em breve, pagando custos adicionais de treinamento e integração. Por enquanto, o silêncio da gestão sobre os detalhes regionais permanece.
Frequently Asked Questions
Quantos funcionários foram demitidos no Ceará?
O Grupo Mateus não divulgou o número exato de demissões específicas para o Ceará. A empresa informou apenas que os cortes foram parte de ajustes operacionais em toda a rede, mantendo os dados agregados por região (Nordeste e Norte) em vez de detalhar por estado individual.
Quais estados foram afetados pelas demissões?
As demissões atingiram seis estados: Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí e Sergipe (todos no Nordeste), além do Pará (Região Norte). As operações na Paraíba, Pernambuco e Alagoas foram excluídas dessa contagem específica porque possuem lojas do formato Novo Atacarejo.
Qual foi a porcentagem de redução do quadro de pessoal?
Desde dezembro de 2025, a redução foi de 13,9%, caindo de 47,9 mil para 41,2 mil funcionários nas áreas consideradas. Em comparação direta com setembro de 2025, a queda registrada foi de 8,8%, indicando que a maior parte dos cortes ocorreu no último trimestre do ano.
Por que a empresa decidiu demitir tantos funcionários?
A justificativa oficial fornecida pelo Grupo Mateus foi a necessidade de "ajustes operacionais em toda a rede". Embora a empresa não tenha detalhado os motivos financeiros específicos, tais cortes geralmente visam reduzir custos fixos e aumentar a eficiência operacional em um mercado varejista competitivo.
Houve algum conflito trabalhista recente no grupo?
Sim. Além das demissões, houve paralisações de trabalhadores, como a ocorrida em Recife em 2 de dezembro, onde funcionários protestaram contra a escala de trabalho 6x1. Paradoxalmente, a empresa também realizou campanhas de saúde mental, como o Setembro Amarelo, demonstrando uma complexidade nas relações laborais atuais.
Thaynara Rezende de Oliveira
Sou jornalista especializada em notícias e gosto de escrever sobre os acontecimentos diários no Brasil. Minha paixão é manter as pessoas informadas com atualizações rápidas e precisas.
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